Difusa

O ar era tudo que ela tinha. O que passava por ela. O que a fazia rodopiar em vários sentidos. Rosa dos Ventos. Era como se agora fosse parte dele. E sendo ar, queria ser terra, queria ser tocada.

Um mistério de pouca fé. Uma vontade ácida lhe invadia e a fazia sonhar. Está em preto e branco, seu colorido desbotado se foi. A pele branca macia estava lá na frente do espelho mágico, seu único interlocutor, pois ele era exatamente seu reflexo.

Ela se escutava por horas, para se sentir viva. Vívida! Atrás dos óculos suas meninas dos olhos brincam, mas não como antigamente. Elas se encontram mais sérias. Dançarinas num salão de pura ilusão. E nesta noite sem estrelas, palco escurecido, nada mais resta do que a sombra refletida de seu rosto na parede do quarto.

Chris F.

~ por Pan em 21/06/2008.

Uma resposta to “Difusa”

  1. Que bom que você consegui voltar, Chris!
    Lindíssimo o que você escreveu.
    Não acho nada do que você escreve sem sentido, mas tem uma frase da Clarice Lispector – que, aliás, aparecia em toda contracapa dos livros dela quando eles eram editados pela Francisco Alves – que resume bem o que eu penso sobre as coisas que não podem ser totalmente ditas:
    “Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Eu sou uma pergunta.”
    Acho muito mais interessante ser uma pergunta que instiga a uma resposta insossa.
    Beijos, querida, e um ótimo fim-de-semana para você.
    Rita.

Deixe uma resposta