Algemas

- Abre essas algemas vai.
- Não, eu não me sinto seguro…

Ele estava lá, e eu ali perdida no tom amarelado do quarto, no escuro do peito ferido de tantas verdades. Éramos como “uma coisa sem forma”. Não sabia mais onde eu começava e ele terminava. Somos agora uma mistura de água e terra, nos tornamos lama.
Eu buscava marcar no seu corpo a minha busca pelo melhor dele, ele tentava retirar dos meus olhos água parada que eu nunca mais lacrimejei. Descobrimos que no canto do olho direito é onde abrigamos os sonhos, e no olho esquerdo, isto mesmo, é ali que eles se perdem.
Ele abria suas asas e eu tentava fazer com que ele não voasse. Ele me dizia não escreva isto, mas nas paredes eu contava nossa história. Contudo ele queria estar livre, queria que eu pegasse a chave, mas acostumado a estar preso tinha medo vôo.
Então como há muito tempo não acontecia meu olhar ficou úmido, e quando me virei vi as algemas no chão. Ele estava de pé, livre e seguro de si. Precisava para se libertar de um choro sincero. E sem perceber, dei isto a ele. Abriu os pulmões, expandiu as asas e disse:

- Agora eu vou sair. Sem medo, sem algemas.
Foi assim que o sonho terminou nesta manhã de quarta-feira. Assim entendi, que os sonhos não podem viver aprisionados, de alguma forma temos que libertá-los. Mesmo que eles fiquem no campo passível de várias decepções. A Isto damos o nome de coragem, coragem para se jogar ao mundo e viver.
E com o passo do tempo aprendia que se pode manejar a espada ou sua bainha, como uma Donzela do Gelo, passeando numa nave que dá voltas em torno do sol.

Chris Fonte

~ por Pan em 28/07/2008.

Uma resposta to “Algemas”

  1. Esses teus contos são meus preferidos com essa aura assim, meio “noir”… beijos

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