Bebe na minha boca e sente
este veneno
Que levemente se espalha
Dividindo contigo a loucura
de meus pensamentos
que nos invade neste quarto
de obscuros desejos
Bebe na minha boca e sente
este amargo
Que se espalha levemente
Nas nossas entranhas
no alívio do rio dos sentidos
no tapa que alivia toda dor
de não sentir o frescor do tempo
Bebe na minha boca e prova
da minha saliva
Que banha teus lábios
lascivos e pálidos de tantas mentiras
Bebe na minha boca e prova
esta coisa infome
Este meu beijo que te sela
Que me faz entorpecer
Bebe na minha boca as horas
que se perdem em cada parte
tua, minha, nossas
levando-nos a progressiva
dependência
Bebe na minha boca
estes sonhos de que nada é tão
medonho dentro deste peito
Bebe na minha boca
e dorme
para que eu descanse
entre as pontas de tuas asas
Depois
Prova-me que na loucura das horas
tudo pára.
Menos a vontade de dividir
contigo
os cinco cálices deste vinho
Que tomaremos
sem sentir
sentindo.
Chris Fonte

Beber dessa tua boca que toca e escreve é um convite irrecusável. Estava sentindo falta do ácido das tuas palavras.
Por: F. Reoli em 28/07/2008
às 2:22 PM